segunda-feira, 27 de junho de 2011

Manual do Repórter de Polícia



O Manual do Repórter de Polícia aborda os crimes mais comuns e indica suas conseqüências legais, entre outras informações relevantes para tirar dúvidas de jornalistas. Criado pelo repórter Marco Antônio Zanfra, o Manual auxilia os profissionais da imprensa em diversos temas importantes, como Justiça, Medicina Legal, Perícias Criminais e Ética.

PEC-300: setores do PMDB ameaçam votar a favor se nomeações não saírem logo. Esse tipo de jogo é obsceno



Amigos, mesmo para os baixos, baixíssimos padrões da política brasileira, passa dos limites o que estão tramando determinados setores do PMDB.
Em troca da nomeação de gente indicada pelo partido para quatro dezenas de cargos gordos em órgãos do governo federal, “ameaçam” veladamente a presidente Dilma Rousseff com seu apoio à PEC-300, a proposta de emenda constitucional que estabelece um piso nacional de salários para policiais militares e bombeiros.
É incrível a utilização de um assunto sério e digno de estudos profundos, como o estabelecimento de um salário base muito acima do que ganha a maior parte dos PMs e bombeiros da maioria dos Estados, como forma de pressão de políticos da própria base do governo. As pressões políticas são legítimas, e medidas legislativas podem, sim, ser legitimamente utilizadas nas negociações políticas.
Nesse caso, porém, esses políticos estão brincando com as esperanças de centenas de milhares de PMs e bombeiros, que aguardam há muito tempo que a PEC-300, apresentada em 2008, seja votada em segundo turno pela Câmara dos Deputados, uma vez que foi aprovada em primeiro turno, em votação concluída em julho do ano passado, pela unanimidade dos 349 deputados presentes.
Quer dizer, então — vamos raciocinar só por hipótese –, que se o governo nomear todo mundo que o PMDB quer ver preenchendo cargos e embolsando bons salários esses deputados irão votar contra a PEC dos PMs e bombeiros, que já aprovaram em 2010?
Esse jogo chega a ser obsceno. O voto “sim” ou “não” em tema tão relevante precisa levar em conta outros critérios, e não mesquinharias como cargos e vantagens.
Ricardo Setti

domingo, 26 de junho de 2011

PM de Polícia Pacificadora do Rio perde as duas pernas após ataque com granada


Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) que trabalham no Morro da Coroa, no Catumbi, foram atacados com uma granada no começo da noite deste sábado, quando faziam um patrulhamento dentro da comunidade. Os policiais teriam abordado três homens que estavam em atitude suspeita e correram. Antes de abandonar uma pistola 9mm, os bandidos arremessaram uma granada na direção dos militares. O soldado Alexsander de Oliveira ficou gravemente ferido e foi levado para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio. De acordo com a Secretaria de Segurança, ele perdeu uma perna no local e teve que amputar a outra no hospital. O soldado também sofreu fratura exposta no braço esquerdo. E foi atingido por estilhaços de granada na virilha.Outros policiais também ficaram feridos por estilhaços.
No fim da noite de sábado, PMs prenderam um menor de 17 anos suspeito de trocar tiros com soldados no Morro da Coroa (Catumbi). O menor foi baleado e está internado no Hospital Souza Aguiar, no Centro. Outros dois conseguiram fugir. Também à noite, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame e o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, visitaram os policiais feridos, atendidos no Hospital Central da PM (Estácio).
Após o tiroteio, a segurança no local foi reforçada por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do 1º Batalhão da Polícia Militar (Estácio).

Da Agência Brasil


Governo luta para evitar aprovação de PEC que unifica salários das polícias


Antes do recesso parlamentar, com previsão para começar em 15 de julho, o governo terá uma longa batalha a fim de evitar que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que unifica os salários das polícias estaduais seja levada a plenário. Representantes da categoria pressionam os deputados federais de seus estados a assinarem um requerimento para que o projeto seja votado em segundo turno o mais rápido possível. A PEC 300, como é conhecida, já esteve em pauta em março do ano passado e foi aprovada em uma primeira votação, mas com várias modificações em relação ao texto original. Segundo a Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), pelo menos 460 parlamentares já aderiram ao movimento.

Um grupo de policiais civis, militares e bombeiros militares programa para 5 de julho uma manifestação em Brasília para entregar o requerimento ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). “Até agora, 460 deputados assinaram o documento pedindo que a matéria seja colocada em votação em segundo turno, mas o número de parlamentares deve aumentar, já que falta a coleta em alguns estados, como o Rio de Janeiro”, explica o presidente da confederação, Jânio Bosco Gandra.

Os representantes dos policiais admitem não discutir a questão salarial nos próximos meses, caso o governo e o presidente da Câmara garantam que a proposta seja votada em segundo turno. “Queremos que isso ocorra ainda antes do recesso, quando começa a mobilização de várias entidades em Brasília”, diz o dirigente da Cobrapol. “Estamos trabalhando por etapa e o valor do piso salarial único será definido depois”, acrescenta.

No início da semana, o governo se movimentou para evitar que a PEC 300 seja aprovada. O Palácio do Planalto tenta convencer os governos estaduais de sua base a pressionarem os deputados a não votar, sob o argumento de que a aprovação significaria um impacto de R$ 50 bilhões anuais no Orçamento. Porém um dos argumentos dos estados é justamente o de que a PEC tinha apoio incondicional do ex-ministro da Justiça Tarso Genro — hoje governador do Rio Grande do Sul.

Teto de vidro

No texto inicial, a PEC 300 fixava salários de R$ 3,5 mil para policiais que ocupavam cargos básicos e R$ 7 mil para cargos de confiança. Na votação em primeiro turno, ano passado, a apresentação de destaques tirou os valores fixados. Em 2010, centenas de policiais ocuparam a Câmara e chegaram a acampar no Salão Verde. O protesto era pelo fato de os parlamentares não terem votado a matéria em segundo turno, como estava definido.

Remuneração da PM

O DF é onde a PM recebe maior salário inicial, segundo entidades ligadas ao setor
UF Salário base (R$)
Distrito Federal - 4.129.73
Sergipe - 3.012
Goiás - 2.722
Mato Grosso do Sul - 2.176
São Paulo - 2.387
Paraná - 2.128
Amapá - 2.070
Minas Gerais - 2.041
Maranhão - 2.037,39
Bahia - 1.984,23
Alagoas - 1.818,56
Rio Grande do Norte - 1.815
Espírito Santo - 1.801,14
Mato Grosso - 1.796,71
Santa Catarina - 1.600
Tocantins - 1.572
Amazonas 1.546
Ceará - 1.529
Roraima - 1.526,91
Piauí - 1.372
Pernambuco - 1.331
Acre - 1.299,81
Paraíba - 1.297,88
Rondônia - 1.251
Pará - 1.215
Rio Grande do Sul - 1.172
Rio de Janeiro - 1.137,49
fonte: Estadão MG


Policiais da 35ª CIPM em Águas Lindas faz apreensão de indivíduos com armas e drogas


Nove pessoas foram detidas e encaminhadas à delegacia de polícia civil, 10.800,00(dez mil oitocentos reais) em dinheiro, celulares, drogas e três armas de fogo foram encontrado com os acusados.


Sgt Nunes, Cb Gednildo, Sd Folha e Sd Garros


No dia 22 de junho de 2011, por volta das 11h40, no Jardim Barragem III, Águas Lindas, a equipe da viatura 2292, composta pelo Cb Gednildo e Sd Garros, juntamente com a viatura do CPU, Sgt Nunes e Sd Folha e DIAGONAL, após denúncia, que no endereço mencionado, teria uma vítima de cárcere privado e que no local havia vários elementos armados e que ali seria também ponto de tráfico de drogas.   
Chegando no local, no momento da abordagem, Foram detidos três elementos portando duas pistolas, calibre 380, uma com carregador contendo treze munições intactas e a outra com um carregador contendo dezesseis munições também intactas e ainda um revólver calibre .38 com seis munições intactas. 
Material apreendido

Alex (Neguinho Ciclone) - porte ilegal de arma de fogo
Durante a busca, dentro do guarda-roupas, foram localizados diversos envelopes contendo dinheiro em seu interior, totalizado R$ 10.800,00 (dez mil oitocentos reais), em espécie, de procedência no momento não comprovada, mais de trinta cartões de recarga da operadora "claro" e dez aparelhos  celulares de várias marcas e modelos.


Wellington (gordinho) - Tráfico de droga
 Ainda no quintal do referido endereço, próximo ao muro, foram localizados seis porções de substâncias entorpecentes conhecida vulgarmente  como MACONHA, e quatro pedras de CRACK.
Jenilton Silva  - Porte ilegal de arma de fogo
Com outro indivíduo os militares encontraram dez pedras de CRACK e nove gramas de MACONHA. Os envolvidos foram conduzidos ao DP onde os três primeiros foram autuados por porte ilegal de arma de fogo e o outro autuado por tráfico de drogas.
Detidos no momento da abordagem

Cb Gednildo

sábado, 25 de junho de 2011

Jovem é encontrado morto a facadas perto de casa




TV CMN
Segundo informações da polícia, a família tinha feito uma ocorrência policial por desaparecimento do jovem uma semana antes.


Na manhã desta sexta feira (24/06) a polícia militar foi informada via 190 de que na quadra 59 do setor Jardim Barragem IV havia um corpo de um jovem que estava com as calças arreadas e com ferimentos  provocado por objetos cortante do tipo faca na região do estômago. A polícia militar designou uma viatura até o local e encontrou em um local de difícil acesso o corpo de Alexandre Silva Araújo de 18 anos com vários ferimentos pelo o corpo e com a cabeça coberta por um pano.
Veja algumas fotos.
Segundo informações da polícia, a vítima estava desaparecida havia uma semana e oito dias atrás a família registrou uma ocorrência policial pelo o desaparecimento de Alexandre. Segundo informações passadas pela a polícia, a vítima teria se desentendido com alguns colegas em quanto bebiam e nunca mais foi visto. Os próprios parentes de Alexandre teriam encontrado o corpo que estava próximo de sua casa que fica na quadra 59 no lote 19 no setor Jardim Barragem IV em Águas Lindas de Goiás.
A polícia civil foi acionada para o local e de imediato acionaram o instituto Médico Legal para periciar o local e remover o corpo para o I.M.L de Luziânia - GO, Uma investigação agora será feita, nem um suspeito foi preso.

Companhia de Operações Especiais de Anápolis controla rebelião no Presídio de Alexânia



No dia 23/06/2011, por volta das 17h30min, a equipe do GPT 90 4505, composta pelo Subtenente Neto, Cabo Madson, Soldados Uessugi e Sérgio, foram informados pelo COPOM sobre uma rebelião no Presídio Municipal de Alexânia-GO. Imediatamente deslocaram-se para o local da crise juntamente com a equipe do GPT 4503 composta pelo cabo P. Sérgio, Soldados Luiz, Roni e De Jesus.

No local tomaram conhecimento que detentos rebelados daquela Unidade Prisional haviam feito reféns 03 (três) agentes prisionais alvejando dois deles e o Cabo Robson da Silva Dourado, que foi conduzido ao Hospital de Urgências de Anápolis em estado grave.

Contando com o apoio das viaturas de área da 34ª CIPM/Alexânia, foi feito o isolamento do local, onde logo em seguida juntamente com o CPU do 4º BPM Tenente Borba e sua equipe sargento Lima, soldados Érick e Marcelino, posicionaram-se junto ao portão principal do presídio, quebraram o cadeado e adentraram ao prédio, constatando que a parte frontal estava em chamas e havia um botijão de gás prestes a explodir, sendo feita a contenção do mesmo. Em seguida os policiais depararam com 07 (sete) detentos rebelados no interior de duas celas, onde após negociação rápida todos se renderam e foram conduzidos a um local seguro. Na sequencia, detentos de outras celas à frente começaram a efetuar disparos contra os policiais.

A energia elétrica foi cortada, iniciando-se o gerenciamento da crise. Os rebelados exigiram a presença de um Juiz, da imprensa e o pronto restabelecimento da energia elétrica, porém, quando perceberam que não seriam atendidos, resolveram render-se um a um, sendo submetidos a uma busca pessoal e colocados novamente nas celas.

As armas tomadas dos agentes e utilizadas pelos detentos durante a rebelião, foram apreendidas e entregues aos agentes do GOPE (Grupo de Operações Penitenciárias).

Fonte: Sargento Vilmar

PEC 300 em debate


O autor do site www.pec300.com, Soldado Almança (PMES), debateu no Programa Expressão Nacional, junto com outras autoridades, a PEC 300, tema que ganhou novos rumos depois que bombeiros do RJ foram presos ao tomarem quartel sede do Corpo de Bombeiros, em ato de desespero.

fonte: blog do Capitão Assumção

Chamadão Geral no DF, pela Dignidade aos Profissionais da Segurança Pública dia 05/07/11


           Pressão total!!! Dia 05/07/11 Policiais, Civis e Militares, Bombeiros do Brasil têm encontro marcado em Brasília em frentes semelhantes. Além dos Bombeiros cariocas aproveitarem o evento para cobrarem do parlamento a agilização do projeto de anistia aos 439 presos; estes se juntarão aos profissionais dos outros estados engrossando o côro pela colocação da PEC 300 na pauta de votação, para que seja aprovada em 2° turno. Compareça, participe, traga sua família, amigos! Vamos contagiar o Brasil pela aprovação da PEC 300!!!

            Anastácio/blog No Q A P

Nova lei deve obrigar revisão de mais de 200 mil prisões no país


Rosanne D'AgostinoDo G1, em São Paulo
A nova lei que regulamenta a prisão deve obrigar juízes a rever mais de 200 mil casos em todo o país. Esta é a opinião de especialistas ouvidos pelo G1 sobre as mudanças previstas na Lei 12.403, que altera o Código de Processo Penal e entram em vigor no dia 5 de julho. Para juristas, a norma pode beneficiar presos provisórios e detidos em flagrante.
A partir de agora, a prisão preventiva está proibida para crimes com penas inferiores a 4 anos, como os furtos simples, crimes de dano ao patrimônio público, entre outros, desde que o acusado não seja reincidente. A prisão em flagrante também não servirá mais para manter um suspeito atrás das grades, como hoje acontece. Além disso, os valores para fianças aumentam e serão revertidos, obrigatoriamente, em favor das vítimas de criminosos condenados.
“É uma lei que permite separar o joio do trigo, quem deve ficar preso e quem não deve”, afirma o ex-juiz e criminalista Luiz Flávio Gomes. “O Brasil é um dos últimos países a ter essa lei. Nem todo mundo tem que ir preso. Os casos vão ser analisados um a um. Se o preso é primário, a facilidade vai ser maior. Para crimes violentos, é cadeia e não tem conversa, não tem liberdade”, afirma. "Não existe isso de soltar bandido perigoso, isso não vai acontecer."
O preso provisório, aquele que ainda aguarda  o fim do processo, ou seja, o que está detido mesmo sem ter sido condenado, pode requerer a revisão da prisão se o caso se enquadrar na nova lei. Segundo dados do Ministério da Justiça, até dezembro de 2010, eles representavam 44% do total do país.
Presos provisórios no país (Foto: Arte/G1)
'Triste de ver'
A norma, na opinião de juristas, deve servir para impedir prisões como a de Paula (nome fictício), detida furtando em um supermercado. Entre os objetos estavam velas, pratinhos e garfinhos de aniversário.
“A filha, que fazia aniversário, não parava de perguntar pela mãe, que estava na prisão. O marido dela veio aos prantos, porque ela tinha 40 e poucos anos e era primária. A Promotoria disse que tinha visto muitos casos assim e foi contra a liberdade, alegando que era para garantir a ordem pública. Ela passou o final de semana presa. É muito tempo. Só depois a juíza soltou”, critica a defensora pública Virgínia Sanches Rodrigues Caldas Catelan, sobre um dos casos mais marcantes que atendeu.
Catelan é coordenadora da Defensoria Pública no Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais) de São Paulo. É lá onde são lavrados todos os flagrantes da capital paulista e também onde são atendidas as famílias dos presos assim que tomam conhecimento dessas prisões. “É uma rotina bem pesada. As famílias chegam nervosas, nem sabem por que o parente foi preso. A gente brinca que aqui é o pronto socorro da defensoria", diz ela. A média é de mil atendimentos por mês, e quase 2 mil flagrantes.
Crimes para os quais não haverá mais prisão preventiva
Furto simples, dano, apropriação indébita, receptação, violação de direito autoral, ato obsceno em local público, bigamia, falsidade de atestado médico, resistência à prisão, desacato, entre outros
 Segundo Virgínia, a maioria são crimes patrimoniais e pequenos furtos. “Furtos de óleo, de pares de tênis. São casos de pessoas que estavam desempregadas. O que tem de furto de produtos de higiene... Coisas que, para o cidadão comum, que só pensa no grande ladrão, não existem. São furtos de sabonete, deixa a gente triste de ver”, afirma. "A esperança é que essa lei sirva para não mandar mais esse tipo de pessoa para as cadeias."
Em outro dos casos que chegou ao Dipo, um senhor, aos seus 50 anos, ficou duas semanas preso por furto e classificado como mendigo após ter tentado abrir a porta de um carro. “Dois dias depois da prisão, o filho dele veio e contou que o pai tinha problema de saúde e desapareceu de casa e que tinha tentado abrir a porta do carro para dormir. Ele ficou muito tempo preso, mais de duas semanas, porque foi véspera de um feriado”, conta a defensora.
Há ainda os que correm perigo na prisão. Um jovem preso porque estava na mesma rua onde havia ocorrido um furto à residência precisou de atenção especial. Portador de um transtorno, o jovem insistia em afirmar que tinha uma irmã policial militar em meio aos colegas de cela. “Ele ficou com vários outros presos, mais ou menos uma semana preso. Tivemos que correr pra que ele não fosse pra um centro de detenção provisória, e sim, para outro distrito, só com parentes de policiais, sendo que ele não precisaria estar preso nenhum dia”, afirma. “Foi um pouco desesperador.”
Soltura em massa
Para o defensor público Patrick Cacicedo, coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária na Defensoria Pública de São Paulo, a lei pode ajudar a diminuir a superlotação nas cadeias brasileiras. Segundo ele, a grande maioria das prisões provisórias no país é mal fundamentada.
Relação entre presos e vagas disponíveis em presídios no país (Foto: Arte/G1)
“Posso dizer categoricamente que a regra absoluta é de prisão de pessoas presumidamente inocentes. Esse número de presos provisórios no país é um verdadeiro escândalo. A prisão preventiva é banalizada no Brasil, quando ela deveria ser exceção”, critica.
"O que se vê é que essa é uma lei que foi necessária diante de uma ilegalidade. A Defensoria está se preparando para fazer valer o cumprimento dessa lei”, adianta.
Marivaldo Pereira, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, admite que há muitos casos em que o preso acaba cumprindo uma pena muitas vezes maior do que a sentença, mas acredita que a lei não deve causar uma soltura em massa de presos. "Me assusta um pouco esse argumento de que vai ter uma soltura em massa. Pode gerar um certo pânico. Vai ser uma análise criteriosa, e não vai ter nenhum prejuízo para a sociedade. Muito pelo contrário”, afirma.
O secretário também critica quem considera que a lei trará impunidade e nega que a norma restringirá a prisão preventiva. "O objetivo central dessa lei é criar instrumentos além da prisão preventiva, para que o juiz consiga garantir a ordem pública. A prisão tem que ser aplicada em último caso. Se de fato o suspeito representa um risco, o juiz vai poder continuar determinando a prisão", afirma.
Principais mudanças trazidas pela lei:
AntesDepois
O código previa prisão ou liberdade provisóriaPassa a prever hipóteses de medidas cautelares além da prisão
O flagrante delito e sentenças condenatórias respaldavam a prisão (art. 282)A nova lei exige adequação das medidas à gravidade do crime e, em último caso, decretar a prisão preventiva
Presos provisórios deveriam ser separados dos definitivamente condenados (art. 300)Lei acrescenta a expressão "sempre que possível"
O juiz deveria ouvir o Ministério Público sobre uma prisão em flagrante para decidir se liberaria o detido (art. 310)Agora o juiz deve, imediatamente ao receber o auto de prisão, decidir: relaxar a prisão ilegal, converter o flagrante em preventiva, ou conceder liberdade provisória, com ou sem fiança
A prisão preventiva era cabível a todo tipo de crime doloso (art. 313)Passa a ser possível somente para crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 anos
Não havia medidas cautelares além da prisãoAcrescenta como medida cautelar: proibição de acesso ou frequência a determinados lugares; de manter contato com pessoa determinada; de ausentar-se da Comarca; recolhimento domiciliar no período noturno quando tiver residência e trabalho fixos; suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica; internação provisória; fiança e monitoração eletrônica
Fiança é permitida em casos punidos com detenção e prisão simples, com pena superior a 2 anos, contravenções, crimes que provoquem clamor público, entre outros
Valor de 1 a 5 salários mínimos (pena até 2 anos); de 5 a 20 salários mínimos (até 4 anos); e de 20 a 100 (pena superior a 4 anos)
Prevê casos em que não é concedida fiança, como racismo, tortura, tráfico de entorpecentes, entre outros, e arbitra novos valores: de 1 a 100 salários mínimos (pena menor de 4 anos); e de 10 a 200 salários mínimos (superior a 4 anos), e leva em conta a situação econômica do preso
Fiança ficaria sujeita a ser revertida à indenização do dano se o réu for condenado (art. 336)Fiança servirá necessariamente para esse fim
“A lei só vale para crimes como furtos simples, apropriação indébita simples, réus primários, coisas realmente não relevantes, que não justificam uma prisão”, avalia Luiz Flávio Gomes. “O casal Nardoni, por exemplo, seria preso mesmo com essa lei. Não existe esse argumento.”
Monitoramento e fiança
A lei prevê nove novas maneiras de medida cautelar além da prisão. Entre elas, estão o comparecimento perante o juízo, a proibição de frequentar certos locais, proibição de manter contato com determinadas pessoas, de se ausentar de uma cidade, ter de ficar em casa durante a noite e o monitoramento eletrônico.
Outro ponto positivo apontado é o pagamento de fiança, que pode chegar a cem salários mínimos (para penas inferiores a 4 anos) e 200 salários mínimos (penas superiores a 4 anos). O valor pode chegar até R$ 109 milhões. “Em crime de corrupção, pode aplicar a fiança e recuperar o dinheiro para o poder público”, diz Gomes. “A vítima, até hoje esquecida, também pode ter garantido no futuro o direito à indenização.”
O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Sydney Sanches, também considera que a nova lei não restringe as hipóteses em que a prisão é necessária. “Essa lei traz outras formas de cautelar aos juízes. Antes, eles tinham que prender ou soltar. Agora, vão poder aplicar medidas mais proporcionais em relação a esses crimes de menor potencial”, afirma.
“A lei não traz impunidade, muito pelo contrário, ela flexibiliza a ação do juiz”, complementa o procurador de Justiça aposentado Antonio Scarance Fernandes, professor de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
O secretário do Ministério da Justiça defende ainda que haverá uma melhoria econômica e social. “Para cada acusado que não vai para a prisão, tem um ganho financeiro, porque cada preso custa hoje R$ 1.800 para o estado, e há também um ganho social, porque ele não vai mais ser jogado nos presídios, onde a chance de se tornar uma pessoa pior é muito grande.”
Para a defensora pública, a nova lei não traz novidades, mas sim, deixa explícito o que já previa a Constituição Federal e deveria estar sendo respeitado. “Tenho esperança de que isso ajude nesses casos. Estamos participando de debates para traçar uma estratégia de ação. A lei tornou mais claro que a prisão cautelar é exceção, e a liberdade, é a regra.”