domingo, 5 de junho de 2011
Bombeiros decidem acampar em frente à Alerj por libertação de presos
sábado, 4 de junho de 2011
Goiânia foi escolhida para ser uma das sedes da Copa América de 2015, que acontecerá no Brasil. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo presidente da Federação Goiana de Futebol, André Luiz Pitta Pires, após reunião com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que contou também com a participação dos dirigentes dos principais clubes goianos.
A escolha de Goiânia para a Copa América faz parte do plano da CBF para compensar algumas cidades brasileiras que não ficaram entre as 12 sedes da Copa do Mundo de 2014. A capital goiana já recebeu também o amistoso entre Brasil e Holanda, que acontecerá neste sábado, no Estádio Serra Dourada, numa reedição do confronto válido pelas quartas de final do Mundial da África do Sul.
A próxima edição da Copa América, que é disputada a cada quatro anos, será realizada agora em julho, na Argentina. Depois, será a vez do Brasil receber a competição, algo que não acontece desde 1989. E, conforme foi divulgado nesta sexta-feira, Goiânia já está definida como uma das sedes de 2015 - a CBF ainda não revelou quais e quantas cidades também terão jogos no torneio sul-americano.
Informativo do Gabinete de Identificação - CAF
INFORME DO GABINETE DE IDENTIFICAÇÃO
A Chefia do Gabinete de Identificação solicita a todos os Policiais Militares e seus Dependentes que deram entrada até a data de 31 de maio de 2011, na solicitação da respectiva Carteira de Identidade, funcional ou de Dependente, a comparecerem nesta Seção, sito à Av. Contorno nº 879, Centro, Goiânia-GO, em frente ao Parque Mutirama, a fim de receberem o documento solicitado.
A Chefia do Gabinete de Identificação solicita a todos os Policiais Militares e seus Dependentes que deram entrada até a data de 31 de maio de 2011, na solicitação da respectiva Carteira de Identidade, funcional ou de Dependente, a comparecerem nesta Seção, sito à Av. Contorno nº 879, Centro, Goiânia-GO, em frente ao Parque Mutirama, a fim de receberem o documento solicitado.
O Policial Militar e o seu Dependente deverá apresentar a Carteira de Identidade Militar anterior, que será recolhida, nos casos em que houve extravio do documento, o interessado deverá solicitar o formulário para Declaração de Extravio, preenche-lo e leva-lo a um cartório para o reconhecimento de firma, tirar uma cópia e entregar uma via na PM/2, de posse da outra via com o recibo daquela 2ª Seção deverá dirigir-se a este Gabinete. Nos casos de furto ou roubo o interessado deverá apresentar cópia autenticada do Boletim de Ocorrência, ou apresentar o original e a cópia para ser autenticado pela própria Seção.
Não serão entregues as Carteiras de Identidade de PM ou Dependente, sem que seja apresentado um dos documentos especificados para cada caso descrito acima.
Aproveitamos a oportunidade para informar que diversos requerimentos de Identidades estão parados por falta de um ou mais documento exigido pela legislação vigente, solicitamos a estes Policiais Militares e Dependentes que procurem pessoalmente este Gabinete, munidos dos documentos que faltam, a fim de darmos prosseguimento. E doravante não serão aceitos requerimentos de Identidade sem a apresentação da documentação completa para cada caso, conforme exigência legal.
Qualquer dúvida poderá ser sanada via telefone (62) 3201-1858, ou pessoalmente neste Gabinete, segue anexo a relação dos Policiais Militares e Dependentes cujos processos encontram-se parados. Observação: para preservar a identidade do requerente, será listado somente o RG militar dos PM e/ou RG militar do titular com o digito variante no caso dos dependentes. Consulte esta lista, caso seu RG conste nela, favor entrar em contato.
RGs dos Policiais Militares com processos parados:
03.118 03.662 06.713 14.267 16.968 17.136 17.771 17.994 18.304 27.056
27.363 27.642 28.057 28.095 28.577 29.109 29.272 29.294 29.361 33.104
33.121 33.624
RGs dos Dependentes com processos parados:
31.654-03 17.456-10 24.813-03 22.631-10 31.024-01 31.024-02 15.008-05 19.766-04
14.637-01 10.694-02 25.454-08 29.068-01 03.703-01 28.483-02 14.641-01 19.435-02
32.259-10 07.648-01 26.936-01 24.703-10 18.004-02 26.280-02 28.495-01 01.901-01
25.633-01 04.232-01 22.791-01
RGs dos Policiais Militares com processos parados:
03.118 03.662 06.713 14.267 16.968 17.136 17.771 17.994 18.304 27.056
27.363 27.642 28.057 28.095 28.577 29.109 29.272 29.294 29.361 33.104
33.121 33.624
RGs dos Dependentes com processos parados:
31.654-03 17.456-10 24.813-03 22.631-10 31.024-01 31.024-02 15.008-05 19.766-04
14.637-01 10.694-02 25.454-08 29.068-01 03.703-01 28.483-02 14.641-01 19.435-02
32.259-10 07.648-01 26.936-01 24.703-10 18.004-02 26.280-02 28.495-01 01.901-01
25.633-01 04.232-01 22.791-01
Bombeiros do Rio podem pegar até 12 anos de prisão, diz comandante
Bombeiros do Rio podem pegar até 12 anos de prisão, diz comandante
"O código disciplinar militar é rígido. Invasão de quartel é uma atitude muito grave e está previsto no artigo 149 do Código Penal Militar", disse o comandante.
Com o pulso esquerdo fraturado e uma luxação no joelho esquerdo, em consequência da invasão do quartel dos bombeiros, o comandante acompanhou o trabalho de qualificação dos bombeiros presos na Corregedoria da PM, em Neves, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. À paisana, ele contou como tudo aconteceu.
"Fui empurrado por um dos líderes da invasão. Como era a autoridade de patente mais alta no quartel naquele momento, fui dar voz de prisão a ele. Ele me empurrou, eu tentei agarrá-lo. Ele se desvencilhou de mim, enquanto eu torcia o joelho. Logo depois, ele me empurrou de novo numa escada e, ao cair, quebrei o pulso esquerdo", contou o comandante.
O coronel Waldyr Soares Filho deverá ficar engessado por pelo menos uma semana, até que sejam feitos novos exames para que se constate se houve ou não rompimento de ligamentos.
'Meu filho não é bandido', diz mãe de bombeiro preso
Famílias dos bombeiros presos neste sábado (4) após invadirem o quartel central da corporação na noite de sexta (3) aguardam uma solução para o caso na porta da Corregedoria da PM, para onde os manifestantes foram levados. Cerca de 25 pessoas ficam da grade do batalhão tentando ver a movimentação dos filhos e maridos mantidos dentro dos ônibus no pátio da unidade. Um deles conseguiu sair e tranquilizar a mãe, Marilu Fonseca, que ficou muito emocionada.
"Meu filho não é bandido. Tem um monte de gente que faz greve e não é preso. Ele é técnico em raio-x, trabalha na área médica. Ele estava no plantão e depois foi lá para o quartel onde estavam os outros bombeiros. Ele não pode ser tratado como bandido", disse a mulher, bastante emocionada.
Mais cedo, em entrevista coletiva, o governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que os bombeiros que inva..., que não irão de forma alguma prejudicar a imagem de uma instituição tão respeitada e querida pelo povo do Rio de Janeiro."
Segundo Cabral, os bombeiros "têm recebido um apoio jamais visto nas últimas quatro décadas. Desde a existência do estado do Rio o Corpo de Bombeiros não vê o número de equipamentos, de condições de trabalho, que recebeu nos últimos 4 anos e 5 meses do nosso governo," garantiu.
Troca de comando nos bombeiros
Após uma manhã de reuniões, o governador anunciou um novo comandante para o Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões assume a corporação no lugar do coronel Pedro Machado. Simões era comandante da Defesa Civil do município. O motivo da substituição, segundo Cabral, foi descontrole hierárquico.
Após uma manhã de reuniões, o governador anunciou um novo comandante para o Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões assume a corporação no lugar do coronel Pedro Machado. Simões era comandante da Defesa Civil do município. O motivo da substituição, segundo Cabral, foi descontrole hierárquico.
"Foram eventos completamente inaceitáveis do ponto de vista do estado de direito democrático, do ponto de vista do que representa o respeito as instituições, sem falar na própria hierarquia nessa instituição tão querida pelo povo do Rio que é o Corpo de Bombeiros", continuou Cabral.
"Não há negociação com vândalos, eu não negocio com vândalos, eles responderão administrativa e criminalmente" pela invasão do quartel Central, garantiu o governador.
Cabral afirmou que há planos de aumento de salários já anunciados para os bombeiros. "Há um programa de incremento salarial aprovado na Alerj, de R$ 2 mil, esse grupo ao final do ano já está atendido. Se não é ideal é o melhor da historia da corporação."
Segundo Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM, o uso da força não era interesse do governo. "Não nos interessava o uso da força, por isso tivemos uma extensa negociação. (...) Nossa preocupação era muito grande com crianças e mulheres. Aquele grupo dizia que iria reagir de toda forma possível a qualquer ação nossa, então havia um cuidado muito grande. Havia notícia que havia arma de fogo entre eles. A preocupação é de que alguns tivessem armas. Ouvimos alguns disparos na madrugada. Apreendemos um bombeiro com uma pistola. Tinham armas letais. Se essas armas foram levadas, vamos fazer apuração," disse.
Rotina normal
O Comando Geral do Corpo de Bombeiros garantiu no início da manhã que a rotina de atendimento à população do Rio está mantida, apesar das prisões dos bombeiros manifestantes.
O Comando Geral do Corpo de Bombeiros garantiu no início da manhã que a rotina de atendimento à população do Rio está mantida, apesar das prisões dos bombeiros manifestantes.
Os substitutos dos 439 bombeiros detidos já assumiram seus postos segundo nota da divulgada, e postos de salvamentos dos Grupamentos Marítimos, assim como quartéis, unidades de atendimento de urgências e emergências (SAMU/GSE) e serviços de socorro (combate a incêndios, salvamentos e desabamentos, etc) estão operando normalmente.
Invasão
Após uma noite inteira de negociações para que os cerca de dois mil bombeiros deixassem o quartel, a tropa de Choque da Polícia Militar e também policiais do Bope invadiram o quartel do Centro.
Após uma noite inteira de negociações para que os cerca de dois mil bombeiros deixassem o quartel, a tropa de Choque da Polícia Militar e também policiais do Bope invadiram o quartel do Centro.
Para entrar no complexo, por volta de 6h10, os policiais usaram bombas de efeito moral e bombás de gás lacrimogêneo. Pelo menos duas crianças sofreram intoxicação devido ao gás e dois adultos tiveram ferimentos leves na cabeça, por conta das bombas de efeito moral que foram lançadas pelo Bope.
Desde 19h30 de sexta (3), bombeiros ocuparam o pátio e as dependências do complexo. Mulheres e até crianças se uniram a oficiais numa passeata que começou em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e que passou pelas principais avenidas do Centro, até chegar ao quartel.
Reivindicações
O Cabo Benevenuto Daciolo, porta-voz do movimento, explicou que entre as reivindicações estão piso salarial líquido no valor de R$ 2 mil e vale-transporte.
O Cabo Benevenuto Daciolo, porta-voz do movimento, explicou que entre as reivindicações estão piso salarial líquido no valor de R$ 2 mil e vale-transporte.
“Nós temos o pior salário da categoria no país, que é de R$ 950. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta. Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade. Não vamos recuar até que haja uma solução. Queremos um acordo, queremos que o governador se pronuncie”, disse o porta-voz.
O comandante do Batalhão de Choque, coronel Waldir Soares, sofreu fratura em uma das mãos e teve o joelho lesionado durante a invasão dos manifestantes. As informações foram confirmadas pela Polícia Militar (PM). Segundo a PM, ainda não há informações sobre quem seja o responsável pelas agressões.
Após a invasão e durante a madrugada, os manifestantes se alimentaram com o estoque de comida da cozinha do quartel. Eles consumiram pães, queijos, frutas e sucos.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Milhares de Bombeiros CBMERJ invadem QG. Governo manda prender todos.
No momento em que escrevo milhares de bombeiros militares do Rio de Janeiro estão no interior do Quartel do Comando Geral da Corporação, após uma invasão ocorrida por volta das 20h desta sexta. Os BM’s reivindicam aumento salarial e melhoria das condições de trabalho, e pedem para ter uma audiência com o comandante do Corpo de Bombeiros.
Segundo militares que se encontram no local, cerca de 3 mil bombeiros estão no interior do QG do CBMERJ, e não apenas mil, como divulgou o governo mediante O Globo, que ainda anunciou que o governo determinou a prisão de TODOS os Bombeiros Militares presentes. Além disso, a Polícia Militar está acompanhando o movimento, tendo o Coronel PM Mário Sérgio, Comandante Geral da PMERJ, prendido em flagrante o Coronel da Reserva Remunerada Paúl, um dos incentivadores do Movimento no CBMERJ – segundo este último divulgou em seu twitter. Vejam a repercussão do movimento no twitter:
PEC 300 - Resumo da Audiência Pública no dia 31/05/2011
Vários deputados federais, estaduais e representantes de classe compareceram e falaram durante o evento, trazendo mensagem de apoio a aprovação da PEC 300.
O gestor da Associação Beneficente dos Servidores Militares de Sergipe, sargento Edgard Menezes Silva Filho, informou que em seu estado os policiais e bombeiros militares têm remuneração inicial de aproximadamente R$ 3,4 mil. Para os oficiais, a remuneração inicial é de cerca de R$ 12,6 mil. Ele ressaltou, no entanto, que esses valores não foram concedidos pelo governo, mas conquistados pelos policiais. “O governador teve de assinar, porque nós fomos para as ruas e não restou alternativa porque somos uma engrenagem muito importante na máquina estatal.”
O gestor da Associação Beneficente dos Servidores Militares de Sergipe, sargento Edgard Menezes Silva Filho, informou que em seu estado os policiais e bombeiros militares têm remuneração inicial de aproximadamente R$ 3,4 mil. Para os oficiais, a remuneração inicial é de cerca de R$ 12,6 mil. Ele ressaltou, no entanto, que esses valores não foram concedidos pelo governo, mas conquistados pelos policiais. “O governador teve de assinar, porque nós fomos para as ruas e não restou alternativa porque somos uma engrenagem muito importante na máquina estatal.”
Para o autor da proposta, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), somente por meio da mobilização os policiais vão conseguir a aprovação da PEC 300. De acordo com ele, a pressão é necessária porque “o governo federal é contra, assim como vários governadores”. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) disse que a pressão dos policiais é importante para corrigir as distorções salariais e assegurar uma remuneração adequada para PMs, policiais civis e bombeiros.
A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), uma das autoras do requerimento para a realização da audiência e integrante da Frente Parlamentar em Defesa da PEC 300, também reforçou a necessidade de mobilização dos policiais. “Precisamos fazer um movimento para trazer todo mundo, ir para as galerias, forçar o Congresso a rediscutir a PEC em segundo turno.”
Durante todo o dia, representantes dos policiais e deputados alertaram para as grandes diferenças de remuneração entre os estados. O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) lembrou que, enquanto a maior remuneração inicial de um soldado em São Paulo é R$ 1.798, no Pará não passa de R$ 415. Na opinião do deputado, priorizar outros temas é condenar o sistema de segurança pública do País.
O presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Mendonça Prado (DEM-SE), acredita que os governadores contrários à PEC não entenderam o texto aprovado. Ele explicou que, na versão atual, está prevista apenas a criação de um fundo nacional, constituído por um percentual de 4% a 5% da arrecadação federal com o Imposto de Renda e com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para ajudar os estados a financiar a segurança pública.
Mendonça Filho lembrou que a União arrecada 64% de todo tributo que o cidadão brasileiro paga e fica com 52%. “Queremos apenas um pequeno percentual para financiar aquilo que deve ser obrigação da União”, acrescentou. " (*2)
Sei que muitos companheiros estão desanimados e já estão sem esperanças, mas é justamente isso que o governo sempre apostou. Que o desânimo contagiasse a todos e a PEC 300 caisse no esquecimento.
Precisamos permanecer juntos e responder o convocação quando for necessário nossa vinda em Brasília. Pra quem está em casa e nunca se dispôs a ir a Brasília, a lutar, é comum ouvirmos críticas. Sabemos que não é fácil esse deslocamento. Mas não é fácil pra ninguém. Perguntem a quem foi se alguma vez foi fácil. Dificuldade financeira é comum a todos os policiais e bombeiros do Brasil. Mas temos que ter consciência de que se não nos unirmos iremos continuar na mesma.
Quero parabenizar as poucas associações que colaboraram com seus associados no fretamento de ônibus, isso foi fundamental para que enchêssemos o auditório na Câmara dos Deputados. E conclamamos as demais associações em seus estados a participarem dessa luta, pois a nossa vitória representará a vitória de todos, indistintamente.
Vamos aguardar, torcer e apoiar que a Frente Parlamentar em Defesa da PEC 300 consiga pautar a matéria, mas uma sugestão bastante falada na Audiência Pública foi a pressão pessoal que cada um pode realizar em cima dos parlamentares de seus estados.
Entrem em contato com os deputados de seu estado por e-mail, carta ou pessoalmente e cobre um posicionamento em relação a aprovação da PEC 300. Isso surtirá muito efeito.
Precisamos organizar uma paralisação nacional, assim o este governo vai dar importância ao setor de segurança pública.
Precisamos organizar uma paralisação nacional, assim o este governo vai dar importância ao setor de segurança pública.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Comissão de Segurança Pública da Câmara Federal realizou audiência nesta terça 31/05/2011, para discutir PEC 300
Nesta terça, 31 de maio, os representantes dos policiais e bombeiros brasileiros no Congresso Nacional, bem como as lideranças dos estados, estiveram reunidos no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados Federais para o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da PEC 300, visando reunir elementos e articulações necessárias à aprovação da proposta. A criação da Frente ocorreu em paralelo à audiência da Comissão de Segurança da Câmara, que discutiu a PEC 300 e outras propostas ligadas à área:
PECs: 534/02, que amplia as competências das guardas municipais; 308/04, que cria as polícias penitenciárias federal e estaduais; e549/06, que determina que o salário inicial de delegado de polícia não seja inferior ao de integrante do Ministério Público com atribuição de participar das diligências na fase de investigação criminal.
Foram convidados para o debate:
- coronel Paes de Lira, ex-deputado, foi 1º vice-presidente da Comissão Especial da PEC 300;
- Major Fábio, ex-deputado, foi relator da comissão especial da PEC 300;
- Capitão Assumção, ex-deputado, líder do movimento pela aprovação da PEC 300;
- O presidente em exercício da Associação Nacional de Entidades Representativas de Praças Militares Estaduais (Anaspra), Pedro Queiroz;
- Os gestores da Associação Beneficente dos Servidores Militares de Sergipe, sargento Edgard Menezes Silva Filho e Sargento Jorge Vieira da Cruz.
Cb Gednildo
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Pena máxima de prisão pode ser dobrada
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 310/11, do deputado Sandes Júnior (PP-GO), que eleva de 30 para 60 anos o tempo máximo de cumprimento da pena de reclusão. O texto determina que o novo limite deverá ser respeitado mesmo quando o réu for condenado por mais de um crime e a soma das penas ultrapassar esse número.No entanto, o projeto, que altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), estabelece que os benefícios a que o preso terá direito serão contados com base na pena total, e não no limite carcerário de 60 anos. O objetivo é dificultar o acesso do condenado à liberdade condicional ou a um regime de pena mais brando, como o semifechado.
Para o deputado, as mudanças são importantes para tornar a pena compatível com o crime. Segundo ele, a pena máxima em vigor no Brasil (30 anos) combinada com os benefícios existentes para os presos provocam uma sensação de “impunidade no sistema penal repressivo e de inoperância no preventivo”.
Ele ressalta ainda que o limite de 30 anos foi adotado em 1940, época em que a expectativa de vida brasileira não chegava a 45 anos. Hoje ela está em 73 anos. Assim, não se justificaria mais um número tão baixo de pena máxima no País.
Tramitação
O projeto vai tramitar em conjunto com o PL 633/07, nas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, inclusive no Mérito. Depois, as proposições seguirão para análise do Plenário. As informações são da Agência Câmara de Notícias.
Íntegra da proposta:
PL-633/2007
PL-310/2011
Delegado faz xixi em boate, atira contra dois policiais militares e é preso em Goiânia
O delegado de polícia do Distrito Federal Willy Borges de Amorim foi preso por atirar em dois policiais militares de Goiás, após fazer xixi dentro de uma boate, em Goiânia. O crime ocorreu na madrugada de domingo (29), na Exposição Agropecuária de Goiás, no setor Nova Vila.
Os policiais militares Danilo Souza Campos e Georgeton dos Passos Rodrigues, que estavam de folga e faziam a segurança da boate Santa Fé, perceberam que o delegado estava fazendo xixi dentro do camarote. Ao questioná-lo, foram baleados.
Durante a abordagem, por volta das 3 horas da manhã, Danilo pediu que Willy parasse de urinar no local, e quando se virou, o delegado sacou uma pistola 380 e efetuou dois disparos que atingiram a perna do militar.
Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, o outro policial, Georgeton, entrou em luta corporal e também acabou sendo baleado na perna.
Preso em flagrante, o delegado foi levado para a Delegacia de Homicídios, na Cidade Jardim, onde permanece detido. Ele responderá por tentativa de homicídio. Os baleados foram encaminhados para o hospital e passam bem.
A administração da boate Santa Fé comunicou que os dois policiais baleados não trabalhavam para a casa e que o incidente ocorreu na portaria, na fila de entrada. O delegado, que teria provocado problemas na sexta-feira, quando teria urinado dentro do camarote, foi proibido de entrar novamente no local no dia seguinte.
Ao ser barrado na portaria, Willy começou uma confusão e foi questionado pelos dois policiais militares que, segundo um dos administradores da boate, também aguardavam para entrar na casa. A briga teria começado, e o delegado, disparado contra eles.
domingo, 29 de maio de 2011
Cidades da periferia do DF estão entre as mais violentas do mundo
O Fantástico fez uma investigação detalhada na região que vive índices de violência de tempos de guerra. E descobriu que lá funerárias chegam aos locais dos crimes antes mesmo da polícia.
Depoimentos e flagrantes que poderiam ser de uma guerra, em algum lugar perdido, isolado no restante do Brasil, foram registrados em quatro cidades da periferia da capital do país: Novo Gama, Luziânia, Águas Lindas de Goiás e Valparaíso de Goiás.
A região do entorno de Brasília é considerada hoje uma das mais violentas do Brasil. Com a chegada do fim de semana, aumentam o medo e a tensão dos moradores, que vivem a 40 quilômetros de distância da capital do país. Poder e segurança de um lado; realidade sombria do outro.
É madrugada em Novo Gama. As ruas parecem tranqüilas, mas o perigo pode estar em qualquer lugar.
“Onde é escuro não é bom ficar passando não”, explica um homem.
“Estava todo mundo aqui na porta: eu, a mãe dela, outra amiga nossa, uma menininha pequeninha e os meninos. Ele chegou e começou a atirar”, conta uma menina.
“Todo mundo entrou correndo, mas o tiro acertou meu irmão”, lamenta outra menina.
O rapaz baleado já está no hospital. A polícia tenta encontrar o bandido e descobrir o porquê dos tiros. E um morador desabafa: “Isso é normal, corriqueiro. Todo dia”.
Em Luziânia, perto dali, mais violência. Três menores de idade roubaram todo o faturamento de um ônibus: R$ 400.
“Mais que meu salário. É complicado”, comenta um homem.
Cobradores e motoristas conseguiram deter um dos menores. Um outro foi capturado pela polícia. O terceiro assaltante fugiu.
De volta a Novo Gama, perto da casa em que um rapaz foi baleado, a polícia encontrou um suspeito armado. Ele está dentro do carro da Polícia Militar. A irmã da vítima e as testemunhas não concordam se ele é o criminoso.
O rapaz baleado passa bem. O homem detido portava uma arma ilegalmente, mas não foi reconhecido pelas testemunhas.
Em Luziânia, onde o cobrador de ônibus foi assaltado, a polícia encontra o terceiro ladrão.
“Tem um terreno baldio no fundo de uma casa. Ele passou por cima do telhado, e conseguimos pegá-lo do outro lado”, conta um policial.
“O cara estava andando em cima das telhas. Não sei como que ele não caiu dentro da cozinha”, comenta um morador.
“Infelizmente, acontece”, lamenta um policial. “E hoje nós demos sorte de pegá-los em flagrante”.
Nas noites de quinta, sexta, sábado e domingo, a polícia intensifica as rondas nas quatro cidades. Homens da Força Nacional de Segurança ajudam a Polícia Militar.
“As estatísticas mostram que estamos com um índice de homicídio alto”, avalia um policial.
No Brasil, o índice de mortos por homicídios é de 24,5 vítimas para cada cem mil habitantes. No entorno de Brasília, as cidades de Novo Gama e Águas Lindas têm mais que o dobro desse índice.
“Os homicídios vão continuar ocorrendo. Nós vamos tentar baixar esse índice”, garante o tenente-coronel Wellington, da PM de Goiânia.
Em Luziânia, o índice é de 71,04 vítimas fatais. E em Valparaíso é a mais violenta de todas, 75,97 vítimas para cada cem mil habitantes. Com esses números, a região do entorno de Brasília só tem menos gente assassinada que Honduras, que no ano passado se tornou o país mais violento do mundo.
Um comerciante quase morreu, na sexta vez em que foi assaltado. “Levei dois tiros. Um deles acertou a minha boca. Estou com uma deficiência no maxilar, não posso fazer força, não posso pegar peso, não posso pegar sol. Não me sinto seguro em sair mais. Não tenho segurança. Toda hora que encosta um veículo do meu lado, eu fico assustado”, diz.
“São mais de dez mil inquéritos inconclusos merecendo uma preocupação nossa já”, revela Edson Costa Araújo, do gabinete de Gestão de Segurança do Entorno do Distrito Federal.
São dez mil investigações ainda em aberto.
“As pessoas morrem e polícia vai acumulando os inquéritos, e as pessoas vão virando pasta”, constata Marlúcia de Matos, mãe de uma vítima.
Centro de Operações de Segurança foi fechado
Muitos desses inquéritos estão jogados no Centro Integrado de Operações de Segurança, inaugurado em 2002, em Águas Lindas de Goiás. O local reunia as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros. Funcionava 24 horas por dia, sete dias por semana. Apenas um ano depois, foi fechado e abandonado.
O responsável pela segurança da região diz que não adianta ter delegacia se faltam policiais.
“Se você não tem pessoal, não tem como ocupar. São questões que devem ser resolvidas como todo”, alega Edson Costa Araújo.
E não só delegacias estão abandonadas. Novo Gama tem 95 mil habitantes e nenhum atendimento médico. Quando um morador fica doente, só vai encontrar socorro a 40 quilômetros de distância. O prédio que era para ser o único hospital municipal da cidade está abandonado, e virou esconderijo de traficantes e consumidores de crack.
Quando cai a noite, o tráfico do entorno chega perto de Brasília. Na divisa com Goiás, um traficante usa bicicleta para vender droga a um casal. Um grupo consome droga livremente.
“Esses crimes são mais de rixa e também pelo consumo de drogas”, explica Otemar Maia Bianchini, da Força Nacional de Segurança.
“Meu filho saiu à tarde para ir para quadra de esporte e nunca mais voltou”, conta Marlúcia, mãe do rapaz Diego.
O menino desapareceu em novembro de 2008, quando tinha 13 anos. Três rapazes são acusados pela polícia de terem matado Diego. Mas o corpo ainda não foi encontrado.
“A minha esperança é que ele esteja vivo. Mãe sempre tem esperança de achar seu filho. Enquanto eles não acharem nada e não me provarem que é meu, para mim, meu filho está vivo”, diz Marlúcia.
Quando o Fantástico falou pela primeira vez com a mãe de Diego, um dos envolvidos estava preso, e os outros dois, foragidos. A polícia acha que Diego morreu porque devia dinheiro, possivelmente a traficantes.
“Quando a pessoa se envolve com droga, ela começa a pegar as coisas em casa. O meu nunca mexeu em nada. E não tinha passagem pela polícia”, afirma a mãe do adolescente.
Os colegas de Juliete Oliveira, que tinha 17 anos, pedem justiça. Maria Soares de Lima é mais uma mãe que perdeu sua filha no entorno de Brasília.
“Ela foi para o colégio e até as 11h30 ela não havia chegado. Às 19h, eu pensei que ela tinha sido morta”, conta.
Depois de acionar a polícia, a própria família começou a procurar Juliete.
“O meu filho mais velho e meu cunhado foram caçá-la e acharam [o corpo]. Estava
bem pertinho de casa, na BR, dentro do matagal”, conta Maria Soares.
O caso ainda não foi solucionado. É um dos dez mil inquéritos sem conclusão.
A rotina de violência e morte na região criou uma competição sinistra. A escuta das comunicações da polícia é proibida, mas as funerárias usam rádio ilegalmente para ver quem chega primeiro ao local do crime. O agente funerário Igor Candido da Silva conta que às vezes chegam até cinco funerárias a um mesmo local.
Há pouco mais de um mês, o policiamento da região foi reforçado por 107 agentes da Força Nacional de Segurança. E o próprio governo do Distrito Federal pretende ajudar o estado de Goiás.
Mas será que o secretário de Segurança Pública do DF se incomoda de morar em uma região tranqüila que tem a 40 quilômetros de distância uma das regiões mais violentas do mundo?
“Nós temos que tomar todas as iniciativas para evitar que isso aconteça. Temos que fazer realmente um esforço integrado para ajudar na segurança do entorno”, admite o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Torres Avelar.
Professor de jiu-jitsu tenta tirar jovens das ruas
Novo Gama, Valparaíso e Águas Lindas vivem do pequeno comércio e da prestação de serviços. Em Luziânia, a principal atividade é a agricultura. Mas é em Brasília que a população vai procurar emprego. As autoridades reconhecem que todas as cidades do entorno precisam de investimentos.
“Na educação, na segurança publica”, avalia Edson Costa Araújo.
Enquanto o dinheiro público não chega, iniciativas como a do professor de jiu-jítsu Fladimir França de Souza tentam tirar os jovens das ruas. “A gente tinha que trabalhar a cabeça dessas crianças para elas serem alguém, para estudarem”, diz.
“Eu cheguei a traficar, a usar cocaína e maconha. Hoje, graças a Deus, eu sou um homem casado, eu tenho sonhos de construir minha família”, revela o aluno Januário Lopes Silva.
Os sonhos de dona Marlúcia foram interrompidos pelo desaparecimento do filho Diego. Mas enquanto o Fantástico preparava esta reportagem, a polícia de Goiás prendeu um dos dois acusados pela morte que estavam foragidos. “Eu me sinto aliviada, mas quero que a polícia me dê conta do corpo. Porque não adianta só prendê-los”, comenta.
A prefeitura de Novo Gama informa que um novo projeto está sendo elaborado no mesmo local do hospital que foi abandonado antes de ficar pronto.
Por e-mail, a Polícia Militar de Goiás informou que o Centro de Integração das Polícias que foi desativado em Águas Lindas vai ser ocupado por bombeiros e pela Polícia Civil em um prazo de 30 dias. A nota diz que isso é consequência da reportagem do Fantástico.
A equipe de reportagem do programa esteve lá na sexta-feira (27), duas semanas depois da primeira gravação e de quando recebeu a nota da Polícia Militar. O centro continua abandonado. E a população continua exigindo um direito que é de todos: justiça.
A região do entorno de Brasília é considerada hoje uma das mais violentas do Brasil. Com a chegada do fim de semana, aumentam o medo e a tensão dos moradores, que vivem a 40 quilômetros de distância da capital do país. Poder e segurança de um lado; realidade sombria do outro.
É madrugada em Novo Gama. As ruas parecem tranqüilas, mas o perigo pode estar em qualquer lugar.
“Onde é escuro não é bom ficar passando não”, explica um homem.
“Estava todo mundo aqui na porta: eu, a mãe dela, outra amiga nossa, uma menininha pequeninha e os meninos. Ele chegou e começou a atirar”, conta uma menina.
“Todo mundo entrou correndo, mas o tiro acertou meu irmão”, lamenta outra menina.
O rapaz baleado já está no hospital. A polícia tenta encontrar o bandido e descobrir o porquê dos tiros. E um morador desabafa: “Isso é normal, corriqueiro. Todo dia”.
Em Luziânia, perto dali, mais violência. Três menores de idade roubaram todo o faturamento de um ônibus: R$ 400.
“Mais que meu salário. É complicado”, comenta um homem.
Cobradores e motoristas conseguiram deter um dos menores. Um outro foi capturado pela polícia. O terceiro assaltante fugiu.
De volta a Novo Gama, perto da casa em que um rapaz foi baleado, a polícia encontrou um suspeito armado. Ele está dentro do carro da Polícia Militar. A irmã da vítima e as testemunhas não concordam se ele é o criminoso.
O rapaz baleado passa bem. O homem detido portava uma arma ilegalmente, mas não foi reconhecido pelas testemunhas.
Em Luziânia, onde o cobrador de ônibus foi assaltado, a polícia encontra o terceiro ladrão.
“Tem um terreno baldio no fundo de uma casa. Ele passou por cima do telhado, e conseguimos pegá-lo do outro lado”, conta um policial.
“O cara estava andando em cima das telhas. Não sei como que ele não caiu dentro da cozinha”, comenta um morador.
“Infelizmente, acontece”, lamenta um policial. “E hoje nós demos sorte de pegá-los em flagrante”.
Nas noites de quinta, sexta, sábado e domingo, a polícia intensifica as rondas nas quatro cidades. Homens da Força Nacional de Segurança ajudam a Polícia Militar.
“As estatísticas mostram que estamos com um índice de homicídio alto”, avalia um policial.
No Brasil, o índice de mortos por homicídios é de 24,5 vítimas para cada cem mil habitantes. No entorno de Brasília, as cidades de Novo Gama e Águas Lindas têm mais que o dobro desse índice.
“Os homicídios vão continuar ocorrendo. Nós vamos tentar baixar esse índice”, garante o tenente-coronel Wellington, da PM de Goiânia.
Em Luziânia, o índice é de 71,04 vítimas fatais. E em Valparaíso é a mais violenta de todas, 75,97 vítimas para cada cem mil habitantes. Com esses números, a região do entorno de Brasília só tem menos gente assassinada que Honduras, que no ano passado se tornou o país mais violento do mundo.
Um comerciante quase morreu, na sexta vez em que foi assaltado. “Levei dois tiros. Um deles acertou a minha boca. Estou com uma deficiência no maxilar, não posso fazer força, não posso pegar peso, não posso pegar sol. Não me sinto seguro em sair mais. Não tenho segurança. Toda hora que encosta um veículo do meu lado, eu fico assustado”, diz.
“São mais de dez mil inquéritos inconclusos merecendo uma preocupação nossa já”, revela Edson Costa Araújo, do gabinete de Gestão de Segurança do Entorno do Distrito Federal.
São dez mil investigações ainda em aberto.
“As pessoas morrem e polícia vai acumulando os inquéritos, e as pessoas vão virando pasta”, constata Marlúcia de Matos, mãe de uma vítima.
Centro de Operações de Segurança foi fechado
Muitos desses inquéritos estão jogados no Centro Integrado de Operações de Segurança, inaugurado em 2002, em Águas Lindas de Goiás. O local reunia as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros. Funcionava 24 horas por dia, sete dias por semana. Apenas um ano depois, foi fechado e abandonado.
O responsável pela segurança da região diz que não adianta ter delegacia se faltam policiais.
“Se você não tem pessoal, não tem como ocupar. São questões que devem ser resolvidas como todo”, alega Edson Costa Araújo.
E não só delegacias estão abandonadas. Novo Gama tem 95 mil habitantes e nenhum atendimento médico. Quando um morador fica doente, só vai encontrar socorro a 40 quilômetros de distância. O prédio que era para ser o único hospital municipal da cidade está abandonado, e virou esconderijo de traficantes e consumidores de crack.
Quando cai a noite, o tráfico do entorno chega perto de Brasília. Na divisa com Goiás, um traficante usa bicicleta para vender droga a um casal. Um grupo consome droga livremente.
“Esses crimes são mais de rixa e também pelo consumo de drogas”, explica Otemar Maia Bianchini, da Força Nacional de Segurança.
“Meu filho saiu à tarde para ir para quadra de esporte e nunca mais voltou”, conta Marlúcia, mãe do rapaz Diego.
O menino desapareceu em novembro de 2008, quando tinha 13 anos. Três rapazes são acusados pela polícia de terem matado Diego. Mas o corpo ainda não foi encontrado.
“A minha esperança é que ele esteja vivo. Mãe sempre tem esperança de achar seu filho. Enquanto eles não acharem nada e não me provarem que é meu, para mim, meu filho está vivo”, diz Marlúcia.
Quando o Fantástico falou pela primeira vez com a mãe de Diego, um dos envolvidos estava preso, e os outros dois, foragidos. A polícia acha que Diego morreu porque devia dinheiro, possivelmente a traficantes.
“Quando a pessoa se envolve com droga, ela começa a pegar as coisas em casa. O meu nunca mexeu em nada. E não tinha passagem pela polícia”, afirma a mãe do adolescente.
Os colegas de Juliete Oliveira, que tinha 17 anos, pedem justiça. Maria Soares de Lima é mais uma mãe que perdeu sua filha no entorno de Brasília.
“Ela foi para o colégio e até as 11h30 ela não havia chegado. Às 19h, eu pensei que ela tinha sido morta”, conta.
Depois de acionar a polícia, a própria família começou a procurar Juliete.
“O meu filho mais velho e meu cunhado foram caçá-la e acharam [o corpo]. Estava
bem pertinho de casa, na BR, dentro do matagal”, conta Maria Soares.
O caso ainda não foi solucionado. É um dos dez mil inquéritos sem conclusão.
A rotina de violência e morte na região criou uma competição sinistra. A escuta das comunicações da polícia é proibida, mas as funerárias usam rádio ilegalmente para ver quem chega primeiro ao local do crime. O agente funerário Igor Candido da Silva conta que às vezes chegam até cinco funerárias a um mesmo local.
Há pouco mais de um mês, o policiamento da região foi reforçado por 107 agentes da Força Nacional de Segurança. E o próprio governo do Distrito Federal pretende ajudar o estado de Goiás.
Mas será que o secretário de Segurança Pública do DF se incomoda de morar em uma região tranqüila que tem a 40 quilômetros de distância uma das regiões mais violentas do mundo?
“Nós temos que tomar todas as iniciativas para evitar que isso aconteça. Temos que fazer realmente um esforço integrado para ajudar na segurança do entorno”, admite o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Torres Avelar.
Professor de jiu-jitsu tenta tirar jovens das ruas
Novo Gama, Valparaíso e Águas Lindas vivem do pequeno comércio e da prestação de serviços. Em Luziânia, a principal atividade é a agricultura. Mas é em Brasília que a população vai procurar emprego. As autoridades reconhecem que todas as cidades do entorno precisam de investimentos.
“Na educação, na segurança publica”, avalia Edson Costa Araújo.
Enquanto o dinheiro público não chega, iniciativas como a do professor de jiu-jítsu Fladimir França de Souza tentam tirar os jovens das ruas. “A gente tinha que trabalhar a cabeça dessas crianças para elas serem alguém, para estudarem”, diz.
“Eu cheguei a traficar, a usar cocaína e maconha. Hoje, graças a Deus, eu sou um homem casado, eu tenho sonhos de construir minha família”, revela o aluno Januário Lopes Silva.
Os sonhos de dona Marlúcia foram interrompidos pelo desaparecimento do filho Diego. Mas enquanto o Fantástico preparava esta reportagem, a polícia de Goiás prendeu um dos dois acusados pela morte que estavam foragidos. “Eu me sinto aliviada, mas quero que a polícia me dê conta do corpo. Porque não adianta só prendê-los”, comenta.
A prefeitura de Novo Gama informa que um novo projeto está sendo elaborado no mesmo local do hospital que foi abandonado antes de ficar pronto.
Por e-mail, a Polícia Militar de Goiás informou que o Centro de Integração das Polícias que foi desativado em Águas Lindas vai ser ocupado por bombeiros e pela Polícia Civil em um prazo de 30 dias. A nota diz que isso é consequência da reportagem do Fantástico.
A equipe de reportagem do programa esteve lá na sexta-feira (27), duas semanas depois da primeira gravação e de quando recebeu a nota da Polícia Militar. O centro continua abandonado. E a população continua exigindo um direito que é de todos: justiça.
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